Educação, Autonomia e Paulo Freire

Educação, Autonomia e Paulo Freire

Criado por Colégio Ideia | agosto 26, 2016 | Reflexão
Autonomia

Você já pensou como estas palavras se relacionam?

 

Paulo Freire é um dos grandes nomes da educação, seus trabalhos inauguraram novos paradigmas nesta área.

Ainda que as pessoas não se deem conta, as ideias Freirianas baseiam muitas ações em diversas atividades humanas e sociais. Então vamos entender como pensar a educação formal, inicialmente tão disciplinadora e verticalizada, sob a ótica da autonomia?

O Ministério da Educação (MEC) publica o Referencial Curricular Nacional para a Educação

Infantil, desde 1998, documento que “constitui-se em um conjunto de referências e

orientações pedagógicas que visam a contribuir com a implantação ou implementação de

práticas educativas de qualidade que possam promover e ampliar as condições necessárias

para o exercício da cidadania das crianças brasileiras”.

 

De acordo com este Referencial Curricular, a autonomia é “a capacidade de se conduzir e

de tomar decisões por si próprio, levando em conta regras, valores, a perspectiva pessoal,

bem como a perspectiva do outro”. Assim, o conceito avança muito além do simples

autocuidado, isto é, da capacidade de vestir-se, calçar-se, alimentar-se etc.

 

Paulo Freire e a autonomia

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O educador Paulo Freire, por sua vez, considera que a autonomia é a capacidade e a

liberdade de construir e reconstruir o que lhe é ensinado. E não descarta a responsabilidade

do educador ao afirmar que este deve respeito à autonomia, à identidade e à dignidade do

educando.

 

Para ele, a autonomia é o ponto de equilíbrio entre as vertentes de autoridade e de

liberdade no processo educativo, de modo a legitimar cada uma. Em sua obra, consolida

essa visão em seu último trabalho publicado ainda em vida: Pedagogia da Autonomia.

 

A escola tradicional, quando se orientava por uma relação unilateral, onde o saber e a moral

eram fornecidos pelo adulto, revestia o educador de uma autoridade intelectual e moral,

cabendo ao aluno obedecê-lo. No entanto, quando se pensa em autonomia, a concepção de

Paulo Freire é a de que “ensinar não é transferir conhecimentos, mas criar as possibilidades

para a sua própria produção ou a sua construção”. Essa a principal concepção do autor.

 

Ao educador é requerido o aproveitamento das experiências das crianças e a criação de

possibilidades, para que nelas desperte o autoconhecimento e se estimule a socialização.

Para Paulo Freire, ainda, a educação é o meio de se promover a transformação da realidade.

E a construção de um tal conhecimento deve se dar em parceria com o educando, parceria

que consolida a autonomia das partes. Desse modo, o educador é antes um facilitador no

processo de aprendizagem.

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O bom senso na educação de Paulo Freire

O educador, na escola de Freire, deve estar vigilante consigo mesmo e, a todo o momento,

lançar mão do seu próprio bom senso na avaliação rotineira, por exemplo, dos excessos de

formalismos nas relações com os alunos. É o bom senso do educador que fará o papel de seu

próprio guia quando em situações pedagógicas conflituosas.

 

É, ainda, o bom senso do educador que o fará suspeitar de que, se a escola está engajada na

real formação do educando, não pode estar alheia às condições sociais, culturais e

econômicas do universo em que estão inseridos os seus alunos.

 

Desse modo, Paulo Freire indica que toda teoria precisa estar afinada com o exercício

cotidiano do educador que, por sua vez, passa a ser uma referência para os alunos.

 

Paulo Freire, a autonomia e o aperfeiçoamento do educador

autonomia

Segundo Freire, “a luta dos professores em defesa de seus direitos e de sua dignidade deve

ser entendida como um momento importante de sua prática docente”.

 

Considera que, assim como a Pedagogia da Autonomia dirigida ao trato com os educandos

deve estar referenciada por experiências que estimulem a decisão e a responsabilidade dos

alunos, também o professor necessita autoridade e liberdade, embora não confundidas com

autoritarismo e licenciosidade.

 

Por outro lado, uma permanente avaliação crítica do professor em relação à sua própria

prática pode revelar-lhe uma necessidade de desenvolvimento de determinadas virtudes em

si mesmo, a fim de viabilizar o exercício que o bem senso aponta, do respeito à autonomia, à

dignidade e à identidade do educando.

 

O educador, então, deve buscar se aprimorar em sua arte a fim de estar apto e à altura de

sua missão. Eis que é imensa a responsabilidade do educador.

 

Para Paulo Freire, alguns saberes são requeridos para uma boa prática educativa:

  • Ensinar exige rigorosidade metódica
  • Ensinar exige pesquisa
  • Ensinar exige respeito aos saberes dos educandos
  • Ensinar exige criticidade
  • Ensinar exige estética e ética
  • Ensinar exige a corporeificação das palavras pelo exemplo
  • Ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação
  • Ensinar exige reflexão crítica sobre a prática
  • Ensinar exige o reconhecimento e a assunção da identidade cultural

 

Finalmente, há que se considerar que ao educador é indispensável gostar do que faz. Melhor

ainda, deve amar o processo educativo do qual é peça essencial.

 

Ainda que as condições oferecidas ao exercício da educação estejam muito aquém, deve o

educador reivindica-las, de modo a torna-las uma realidade. Afinal, este é um dos principais

objetivos do processo educativo: alterar a realidade.

Parafraseando Paulo Freire:

Ninguém pode estar no mundo, com o mundo e com os outros de forma neutra.

 

Aproveite que está aqui e deixe seu comentário.

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